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Reajuste não deve repor inflação de 2016

Publicada em 24/01/2017.

Como tem feito no início de cada semana após assumir a prefeitura, o prefeito Valdir Heck concedeu entrevista ao Grupo JM, ontem, para analisar e projetar as ações de seu governo. Com muitos problemas a serem resolvidos neste começo de mandato, como a situação financeira delicada e os alagamentos que têm atingido a cidade constantemente, Heck afirmou que a prefeitura está trabalhando em várias frentes para suprir as demandas que surgem.
A ressalva feita pelo prefeito é com relação ao início de gestão, que demanda um tempo de adaptação de secretários e Cargos em Comissão às funções executivas. "Nossas ações, até agora, têm se concentrado na fixação do pessoal em torno das demandas que existem. Ainda estamos tomando pé da realidade existente, temos secretários que também estão chegando. A prefeitura tem uma estrutura altamente complexa, então temos trabalhado muito na reorganização e na estruturação de alguns setores, e esse processo ainda vai levar mais um tempo", avalia o prefeito.
Enquanto a estrutura do poder Executivo tenta se estabelecer plenamente, a lista de itens a serem resolvidos vai crescendo. E uma das questões imediatas a serem resolvidas é o reajuste do funcionalismo público.
O sindicato dos municipários já teve uma reunião inicial com o prefeito, e expôs que a categoria quer a reposição integral do INPC de 2016, que resultaria em reajuste salarial de 6,58%. Além disso, em documento encaminhado à prefeitura, o sindicato ainda exige reposição de perdas acumuladas em 2016, que chegam a 5,02%. Com isso, o reajuste do funcionalismo público em Ijuí chegaria a 11,60% neste ano, algo que o prefeito diz ser impossível de se concretizar.
"Temos o INPC, que teria de ser o reajuste integral. Mas eu acredito que a prefeitura não tem condições, e temos que entender isso. Nós determinamos que a equipe da Fazenda faça um estudo, porque nosso compromisso primeiro é pagar os salários em dia. O que não queremos que aconteça é atrasar ou parcelar salários, porque podemos até sofrer sanções maiores que afetariam todo um planejamento que temos. Então nossa luta é pagar em dia, e o complemento que vamos oferecer será dentro da realidade financeira", explicou o prefeito.
Ainda segundo Valdir Heck, é preciso que o funcionalismo entenda o contexto financeiro pelo qual passam as contas municipais, que já precisam arcar com outros benefícios aos servidores previstos em lei. "Nós vamos avaliar, porque estamos em um momento muito diferente daquele no qual foi instituído o plano de carreira do quadro geral. Porque com as vantagens estabelecidas no plano, a cada cinco anos o crescimento vegetativo dos salários fica em 3,5%, beneficiando os servidores. Isso é dinheiro que sai do caixa, independente de negociação", argumenta.
Por fim, a justificativa maior para a impossibilidade de garantir o reajuste solicitado é o 'efeito-dominó' causado pela crise econômica, que afeta o poder público em todas as suas esferas.
"A prefeitura absorve e tem reflexos diretos daquilo que acontece na economia nacional. Por exemplo, as receitas do governo federal caíram substancialmente. Aqui no Estado, quando foi aprovado o aumento do ICMS, se projetava um incremento de R$ 2 bilhões ao ano, mas o que se viu foi apenas R$ 1,6 bilhão no ano passado. Isso porque é inevitável que as pessoas gastem menos quando as coisas ficam mais caras. Então todos têm que se adaptar", justifica.
Sobre o reajuste, uma nova reunião deverá ser marcada para discutir o tema. Na semana passada, o sindicato dos servidores municipais emitiu nota na qual considerou positivo o primeiro encontro com o prefeito, destacando o fato de não ter havido uma 'proposta pronta' por parte do poder Executivo no que se refere ao índice de reajuste.