\\ JORNAL DA MANHÃ \ Editorial

MORTES E MAIS MORTES

Publicada em 24/01/2017.

Mesmo com leis mais rígidas e campanhas de conscientização constantes, os acidentes de trânsito continuam entre as principais causas de morte no País. Pelo menos 40 pessoas morreram em diferentes acidentes entre o meio-dia de sexta-feira e a madrugada de ontem em estradas do Rio Grande do Sul.
São crescentes os números em mortos e mutilados nessa guerra diária em ruas e estradas. A cada ano, o trânsito brasileiro mata quase tanto quanto a Guerra do Vietnã. Uma das principais causas, segundo especialistas da área, é a imprudência.
As punições ao motorista infrator deveriam ser proporcionais à gravidade do erro e também a verba das multas deveria ser revertida para um programa de educação no trânsito.
Segundo a Polícia Rodoviária Federal, são relativamente comuns acidentes com morte em que se constata a falta de cinto no banco traseiro do veículo. Também é comum veículos trafegarem em velocidades absurdas em estradas duplicadas e bem preservadas. Não importa o quanto uma estrada está em boas condições ou a quantidade de itens de segurança que há no carro. Seguir à risca o que determinam as leis de trânsito nunca é demais.
Mas precisa ensinar isso? Os condutores, já habilitados, não sabem? São inúmeras questões que retratam a guerra diária no trânsito.
A Organização Mundial de Saúde calcula que o Brasil gasta por ano, para cuidar de acidentados e incapacitados, uma fortuna capaz de solucionar boa parte dos problemas do pais. Até 2030, cerca de 2,4 milhões de pessoas morrerão por ano nos países como o Brasil, onde a Semana do Trânsito é “comemorada” com frases como “Dirija com prudência”, “Seja paciente no trânsito para não ser no hospital”.
No que diz respeito ao poder público, a sinalização precisa ser aperfeiçoada e a fiscalização deveria ser mais severa. Com relação aos motoristas, é grande a lista de mudanças comportamentais que ajudariam a deixar as vias mais seguras, por isso quando se trata de poupar vidas humanas, todo trabalho que resulte na redução de acidentes é válido. O ideal seria reduzir o nível de mortalidade no trânsito a zero, mas para se chegar lá, há um longo caminho a percorrer.
Diante desses números alarmantes, não podemos deixar os fatos na omissão. Infelizmente, a realidade brasileira mostra que muitos ainda têm o pensamento de achar que a consequência maior de infringir as leis de trânsito é apenas o valor da multa, quando a realidade deveria ser outra, a de entender que desrespeitar as leis de trânsito é colocar a sua vida e de outras pessoas em risco.