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BARBÁRIE

Publicada em 05/01/2017.

 

A maior matança em presídios desde o massacre do Carandiru, em São Paulo, volta a chamar a atenção para um tema decisivo a quem quiser buscar uma solução ao problema da segurança pública no País: a situação dos presídios.
Uma briga entre facções criminosas rivais na maior prisão do Amazonas resultou em 56 mortos entre domingo e segunda-feira depois de uma rebelião. O motim que causou a tragédia em Manaus durou 17 horas, com cenas de barbárie, como vítimas decapitadas. Em 1992, no Carandiru, uma ação policial deixou 111 mortos.
O massacre do presídio em Manaus não é um caso isolado nem pontual. É o resultado de uma política de Estado que acredita no encarceramento como fórmula mágica para enfrentar a criminalidade. Atualmente, o sistema carcerário do Amazonas é operado por uma parceria público-privada que venceu licitação para explorar o serviço por 27 anos em cinco presídios. Entre eles, está o presídio onde ocorreu o massacre. No entanto, a situação retrata a crise carcerária e leva a pensar que é possível recuperar o irrecuperável, ou é necessário ter uma solução final, ou seja, a penas mais severas para crimes hediondos, pois este debate não é bem visto e nem aceito pelos defensores dos direitos humanos, mas nesta situação com dezenas de mortes registradas, incluindo casos de decapitação, onde estão os direitos humanos? O horror em Manaus desfaz os argumentos de parcela da população para a qual o caos nos presídios é uma questão meramente de interesse interno, de quem se encontra detido sob a tutela do Estado. Não é, pois diz respeito a todos. 
Na outra ponta, o Estado é um péssimo gestor, cadeias como outros órgãos de incumbências do Estado são de alto custo e ocorre uma má aplicação das verbas públicas. O modelo atual de governar e de administração está falido. 
Quem trabalha dentro das unidades sente o reflexo direto do problema. Com mais presos, aumenta a responsabilidade dos agentes. Existe muita pressão psicológica sim. 
Um funcionário vai sozinho abrir as celas para o banho de sol e não sabe o que vai acontecer. Na verdade, fica na mão dos detentos. Como os governos não possuem resposta para tamanha barbárie, e o massacre provavelmente não será o capítulo final das guerras instauradas nas cadeias. Trata-se mais de saber onde ela ressurgirá e com qual grau de violência.  Lembrando que hoje um preso custa mais do que educar dez crianças. 

A maior matança em presídios desde o massacre do Carandiru, em São Paulo, volta a chamar a atenção para um tema decisivo a quem quiser buscar uma solução ao problema da segurança pública no País: a situação dos presídios.

Uma briga entre facções criminosas rivais na maior prisão do Amazonas resultou em 56 mortos entre domingo e segunda-feira depois de uma rebelião. O motim que causou a tragédia em Manaus durou 17 horas, com cenas de barbárie, como vítimas decapitadas. Em 1992, no Carandiru, uma ação policial deixou 111 mortos.

O massacre do presídio em Manaus não é um caso isolado nem pontual. É o resultado de uma política de Estado que acredita no encarceramento como fórmula mágica para enfrentar a criminalidade. Atualmente, o sistema carcerário do Amazonas é operado por uma parceria público-privada que venceu licitação para explorar o serviço por 27 anos em cinco presídios. Entre eles, está o presídio onde ocorreu o massacre. No entanto, a situação retrata a crise carcerária e leva a pensar que é possível recuperar o irrecuperável, ou é necessário ter uma solução final, ou seja, a penas mais severas para crimes hediondos, pois este debate não é bem visto e nem aceito pelos defensores dos direitos humanos, mas nesta situação com dezenas de mortes registradas, incluindo casos de decapitação, onde estão os direitos humanos? O horror em Manaus desfaz os argumentos de parcela da população para a qual o caos nos presídios é uma questão meramente de interesse interno, de quem se encontra detido sob a tutela do Estado. Não é, pois diz respeito a todos. 

Na outra ponta, o Estado é um péssimo gestor, cadeias como outros órgãos de incumbências do Estado são de alto custo e ocorre uma má aplicação das verbas públicas. O modelo atual de governar e de administração está falido. 

Quem trabalha dentro das unidades sente o reflexo direto do problema. Com mais presos, aumenta a responsabilidade dos agentes. Existe muita pressão psicológica sim. 

Um funcionário vai sozinho abrir as celas para o banho de sol e não sabe o que vai acontecer. Na verdade, fica na mão dos detentos. Como os governos não possuem resposta para tamanha barbárie, e o massacre provavelmente não será o capítulo final das guerras instauradas nas cadeias. Trata-se mais de saber onde ela ressurgirá e com qual grau de violência.  Lembrando que hoje um preso custa mais do que educar dez crianças.