\\ JORNAL DA MANHÃ \ Rural

Desestímulo pode quebrar cadeia do leite

Comissão ouviu o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, que externou a condição da atividade
Comissão ouviu o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, que externou a condição da atividade
Publicada em 12/12/2016.

 

A Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa realizou nesta semana uma audiência pública para debater a crise na cadeia do leite no Estado. O encontro, que reuniu políticos, entidades do meio rural e agricultores foi marcada por relatos comoventes sobre as imensas dificuldades encontradas por quem ainda insiste na atividade leiteira.
Um dos pontos principais abordados no encontro foi o preço pago aos produtores. Após atingir o pico de R$ 2,00, de julho para cá o preço do litro ao produtor caiu para até R$ 0,88, comprometendo a capacidade de pagamento nas propriedades rurais. O cenário é causado pelo aumento de 80% nas importações de lácteos do Uruguai, alta de 12,56% no custo médio, retração de consumo, hidratação de matéria-prima, disparidades nas margens de lucro da cadeia produtiva e falta de políticas públicas de proteção da produção.
Proponente da audiência que levou à Capital 350 agricultores, o deputado Elton Weber (PSB) defende ações imediatas. "Com o preço desta forma, o produtor não consegue pagar suas contas fixas. Isso desestimula a produção e causa impacto na arrecadação do governo, o que não é bom para ninguém", alertou o deputado. 
De acordo com dados apresentados pelo presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, entre 2015 e 2016, 19.200 produtores abandonaram a atividade, o que representa 18% do total. Silva criticou as disparidades nas margens de lucro do setor. "Os números justificam, o produtor não está chorando, nós vamos quebrar a cadeia produtiva se continuarmos deste jeito".
Em entrevista ao Grupo JM, ontem, Carlos Joel da Silva detalhou a situação crítica dos produtores de leite, apontando as causas da crise no setor. "A diferença entre o preço do leite ao produtor e o preço do leite no mercado é muito grande, o que significa que alguém está ganhando muito com essa situação, e nós precisamos saber quem é. Porque naquele pico de preço do inverno deste ano, o preço ao produtor cresceu 63%, mas a média do leite na gôndola foi de aumento superior a 100%. Precisamos achar para onde vai essa diferença, se está na indústria, no distribuidor ou no supermercado", lamentou Joel.
Outro dado apresentado pela Fetag mostra que o menor valor pago pelo leite no Estado chegou, em novembro, a R$ 0,79 por litro. Enquanto isso, o custo de produção desse mesmo litro supera R$ 1,30.
A partir da audiência, a Comissão de Agricultura encaminhará uma série de medidas sugeridas pelos produtores à Casa Civil, aos ministérios da Agricultura e Fazenda, à Secretaria Especial da Agricultura Familiar e indústrias.
As solicitações ao governo federal incluem controle de importações de produtos lácteos do Mercosul, e estabelecimento de preço mínimo para o leite pelo Ministério da Agricultura, já que hoje somente existe um preço de referência.
Ao governo do Estado, será solicitada a Revisão de incentivos fiscais de empresas que estão comprando leite de fora do Estado e de empresas que descartam pequenos produtores devido ao volume produzido.

A Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa realizou nesta semana uma audiência pública para debater a crise na cadeia do leite no Estado. O encontro, que reuniu políticos, entidades do meio rural e agricultores foi marcada por relatos comoventes sobre as imensas dificuldades encontradas por quem ainda insiste na atividade leiteira.

Um dos pontos principais abordados no encontro foi o preço pago aos produtores. Após atingir o pico de R$ 2,00, de julho para cá o preço do litro ao produtor caiu para até R$ 0,88, comprometendo a capacidade de pagamento nas propriedades rurais. O cenário é causado pelo aumento de 80% nas importações de lácteos do Uruguai, alta de 12,56% no custo médio, retração de consumo, hidratação de matéria-prima, disparidades nas margens de lucro da cadeia produtiva e falta de políticas públicas de proteção da produção.

Proponente da audiência que levou à Capital 350 agricultores, o deputado Elton Weber (PSB) defende ações imediatas. "Com o preço desta forma, o produtor não consegue pagar suas contas fixas. Isso desestimula a produção e causa impacto na arrecadação do governo, o que não é bom para ninguém", alertou o deputado. 

De acordo com dados apresentados pelo presidente da Fetag-RS, Carlos Joel da Silva, entre 2015 e 2016, 19.200 produtores abandonaram a atividade, o que representa 18% do total. Silva criticou as disparidades nas margens de lucro do setor. "Os números justificam, o produtor não está chorando, nós vamos quebrar a cadeia produtiva se continuarmos deste jeito".

Em entrevista ao Grupo JM, ontem, Carlos Joel da Silva detalhou a situação crítica dos produtores de leite, apontando as causas da crise no setor. "A diferença entre o preço do leite ao produtor e o preço do leite no mercado é muito grande, o que significa que alguém está ganhando muito com essa situação, e nós precisamos saber quem é. Porque naquele pico de preço do inverno deste ano, o preço ao produtor cresceu 63%, mas a média do leite na gôndola foi de aumento superior a 100%. Precisamos achar para onde vai essa diferença, se está na indústria, no distribuidor ou no supermercado", lamentou Joel.

Outro dado apresentado pela Fetag mostra que o menor valor pago pelo leite no Estado chegou, em novembro, a R$ 0,79 por litro. Enquanto isso, o custo de produção desse mesmo litro supera R$ 1,30.

A partir da audiência, a Comissão de Agricultura encaminhará uma série de medidas sugeridas pelos produtores à Casa Civil, aos ministérios da Agricultura e Fazenda, à Secretaria Especial da Agricultura Familiar e indústrias.

As solicitações ao governo federal incluem controle de importações de produtos lácteos do Mercosul, e estabelecimento de preço mínimo para o leite pelo Ministério da Agricultura, já que hoje somente existe um preço de referência.

Ao governo do Estado, será solicitada a Revisão de incentivos fiscais de empresas que estão comprando leite de fora do Estado e de empresas que descartam pequenos produtores devido ao volume produzido.