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Câmbio puxa preço da soja para cima no exterior

No Rio Grande do Sul, mais de 85% da soja prevista já está plantada. Expectativa é de 5 milhões de toneladas colhidas
No Rio Grande do Sul, mais de 85% da soja prevista já está plantada. Expectativa é de 5 milhões de toneladas colhidas
Publicada em 09/12/2016.

 

A cotação do bushel de soja na bolsa de Chicago, que serve de referência para a exportação do grão produzido no Brasil, fechou o mês de novembro com média de 10,03 dólares, contra os 9,75 dólares de cada bushel no mês de outubro.
O principal elemento que tem contribuído para esta elevação de preços é o câmbio. "Nós tivemos uma desvalorização significativa do real nos últimos tempos, e isso ajudou a trazer preço de soja para cima. Hoje, a média do valor pago pela saca no balcão, no Rio Grande do Sul, está pouco acima dos R$ 71. Não faz muito tempo, este valor estava em R$ 68, então há uma clara melhoria", avalia o professor de Economia Argemiro Brum.
Na avaliação do especialista, esta valorização advém de questões conjunturais, ou seja, ocorrem em virtude de fatores passageiros. "Isso porque os fatores principais de oferta e demanda são baixistas, tanto para Chicago quanto para o mercado interno. Os Estados Unidos já colheram safra recorde, e há boas expectativas para a produção de soja no Brasil e na Argentina, ou seja, o aumento dos estoques finais do produto é um fator que deve derrubar os preços da soja dentro de algum tempo", projeta Argemiro Brum.
É dentro deste cenário que a política econômica no Brasil poderá influenciar no mercado da soja. Como o câmbio orienta os movimentos de exportações, questões como o patamar da taxa de juros e a condução do governo de reformas estruturais, que impactam diretamente o câmbio,  deverão dar o tom de valorização ou estabilização do preço da soja aos produtores nacionais.
"Se estas questões todas como a PEC dos Gastos e Reforma da Previdência forem bem conduzidas pelo governo, o câmbio deve se estabilizar nos patamares atuais de R$ 3,40 em cada dólar".
No mapa da soja no Rio Grande do Sul, a macrorregião que compreende os 45 municípios da metade Oeste deve ser responsável, nesta temporada, por mais de 1 milhão de toneladas do produto.
No que diz respeito à soja, o mercado internacional ganha ainda mais relevância a partir do apetite chinês pelo produto. A China, maior comprador global de soja, importou 7,84 milhões de toneladas do grão em novembro, maior volume em quase um ano, mostraram dados do governo nesta quinta-feira, com indústrias recompondo estoques antes de um período de pico de consumo.
As importações subiram 50,5 por cento ante outubro e 6 por cento ante novembro do ano passado, mostraram dados da alfândega chinesa. Foi o maior volume desde dezembro do ano passado.
O forte crescimento dos desembarques ante outubro refletiu a entrada de carregamentos que haviam ficado represados em outubro devido a rotas de transporte mais longas.
Analistas disseram que o movimento de compras deverá continuar em dezembro, atingindo importações de cerca de 9 milhões de toneladas. O atual volume recorde, de 9,5 milhões de toneladas, foi registrado em julho de 2015.
Os meses de inverno geralmente são os mais movimentados para as importações, quando a safra norte-americana chega ao mercado, ao mesmo tempo em que a demanda por produtores de suínos cresce antes do Ano Novo Lunar na China.

A cotação do bushel de soja na bolsa de Chicago, que serve de referência para a exportação do grão produzido no Brasil, fechou o mês de novembro com média de 10,03 dólares, contra os 9,75 dólares de cada bushel no mês de outubro.

O principal elemento que tem contribuído para esta elevação de preços é o câmbio. "Nós tivemos uma desvalorização significativa do real nos últimos tempos, e isso ajudou a trazer preço de soja para cima. Hoje, a média do valor pago pela saca no balcão, no Rio Grande do Sul, está pouco acima dos R$ 71. Não faz muito tempo, este valor estava em R$ 68, então há uma clara melhoria", avalia o professor de Economia Argemiro Brum.

Na avaliação do especialista, esta valorização advém de questões conjunturais, ou seja, ocorrem em virtude de fatores passageiros. "Isso porque os fatores principais de oferta e demanda são baixistas, tanto para Chicago quanto para o mercado interno. Os Estados Unidos já colheram safra recorde, e há boas expectativas para a produção de soja no Brasil e na Argentina, ou seja, o aumento dos estoques finais do produto é um fator que deve derrubar os preços da soja dentro de algum tempo", projeta Argemiro Brum.

É dentro deste cenário que a política econômica no Brasil poderá influenciar no mercado da soja. Como o câmbio orienta os movimentos de exportações, questões como o patamar da taxa de juros e a condução do governo de reformas estruturais, que impactam diretamente o câmbio,  deverão dar o tom de valorização ou estabilização do preço da soja aos produtores nacionais.

"Se estas questões todas como a PEC dos Gastos e Reforma da Previdência forem bem conduzidas pelo governo, o câmbio deve se estabilizar nos patamares atuais de R$ 3,40 em cada dólar".

No mapa da soja no Rio Grande do Sul, a macrorregião que compreende os 45 municípios da metade Oeste deve ser responsável, nesta temporada, por mais de 1 milhão de toneladas do produto.

No que diz respeito à soja, o mercado internacional ganha ainda mais relevância a partir do apetite chinês pelo produto. A China, maior comprador global de soja, importou 7,84 milhões de toneladas do grão em novembro, maior volume em quase um ano, mostraram dados do governo nesta quinta-feira, com indústrias recompondo estoques antes de um período de pico de consumo.

As importações subiram 50,5 por cento ante outubro e 6 por cento ante novembro do ano passado, mostraram dados da alfândega chinesa. Foi o maior volume desde dezembro do ano passado.

O forte crescimento dos desembarques ante outubro refletiu a entrada de carregamentos que haviam ficado represados em outubro devido a rotas de transporte mais longas.

Analistas disseram que o movimento de compras deverá continuar em dezembro, atingindo importações de cerca de 9 milhões de toneladas. O atual volume recorde, de 9,5 milhões de toneladas, foi registrado em julho de 2015.

Os meses de inverno geralmente são os mais movimentados para as importações, quando a safra norte-americana chega ao mercado, ao mesmo tempo em que a demanda por produtores de suínos cresce antes do Ano Novo Lunar na China.