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Chapecó: sofrer sim, baixar a guarda jamais

Povo de Chapecó, no pior dia de sua história, mostrou porquê tamanha comoção
Povo de Chapecó, no pior dia de sua história, mostrou porquê tamanha comoção
Publicada em 06/12/2016.

 

- Abriu um buraco aqui no meio!, resignou-se, apontando o dedo indicador para o lado esquerdo do seu peito, a Aline,  funcionária de um posto de combustíveis localizado a cerca de três quadras da Arena Condá, na região Central de Chapecó. 
Ao passo que a equipe do Grupo JM adentrava a estrutura da cidade, detalhes em verde, branco (e preto) surgiam em todos os cantos. Nos monumentos, nas edificações, nas plantas, nas casas, nas ruas. Somadas a essa série de adereços dos mais variados materiais, camisetas da Chapecoense desfilavam por uma devastada, mas ainda assim, simpática cidade. Eram centenas de camisetas. Milhares delas. A cada 10 pessoas, nove vestiam o Manto. O décimo morador só não entrava na estatística, porque não usava a camiseta por cima, e sim, sob os casacos e capas que protegiam a forte chuva daquele sábado do dia 3.
Talvez tamanha paixão tenha sido entendida já em uma rápida conversa com Aline, a operadora de caixa do posto de combustíveis que não conteve as lágrimas. "Eles passavam por aqui diariamente. Tínhamos o contato diário com eles. A maioria deles não parecia jogador de futebol. Não tinham restrições e faziam questão de dar toda a atenção à cidade", revelou a moradora. 
Os pequenos detalhes. Ainda que estivéssemos no meio de um furacão, ilustrado pelo pior dia da história da cidade, a comunidade local fazia questão de mostrar uma face solícita, prestativa e solidária, com movimentos que claramente refletem, na essência, a comoção mundial com o episódio. Tudo, ainda que da pior forma possível, parecia conspirar a favor do humanismo. Bem ao lado do estádio, estacionado na calçada oposta, um ônibus ostentava no para-brisas em letras garrafais: FAZER O BEM, SEM OLHAR A QUEM. Talvez essa simples mensagem desse a dimensão do que era planejado para o transcorrer do sábado chuvoso (e choroso) na cidade. 
A SOLIDARIEDADE COMO LEGADO
Mais de 1,2 mil profissionais faziam a cobertura da cerimônia de despedida. Na linha divisória do gramado, câmeras, aparelhos e repórteres das mais diversas cores e idiomas aguardavam, sob ininterrupta chuva, a chegada de 50 caixões. Em meio à espera, funcionários da Chapecoense passavam com caixas recheadas de bolachas, barras de cereais, biscoitos, chocolates e demais guloseimas. "Por favor, não fiquem sem se alimentar. É importante", alertava uma funcionária completamente ensopada em meio a um dilúvio.
"Eu nem acredito. Eu realmente não estou acreditando que eles, no pior dia da história dessa cidade, estão preocupados com a nossa alimentação", espantou-se, em portunhol, um profissional da imprensa de Assunção, do Paraguai. "Eu trabalho há 15 anos na função, cobri a tragédia de Assunção, onde uma explosão matou mais de 400 pessoas, mas não vi nada parecido com isso aqui",  revelou o mesmo repórter, André Gutierrez, 35 anos, agora em entrevista concedida ao Grupo JM. "Não sei o que vai acontecer daqui algumas horas. Só sei que serei uma nova pessoa daqui para frente. Abrace seus pais, seus irmãos, seus parentes e todas as pessoas que você ama. Não sabemos o dia de amanhã e tudo isso veio para nos mostrar que pode ser o mais triste de todos", finalizou antes de passar a mão no rosto para secar as lágrimas travestidas de gotas que caíam do céu.

- Abriu um buraco aqui no meio!, resignou-se, apontando o dedo indicador para o lado esquerdo do seu peito, a Aline,  funcionária de um posto de combustíveis localizado a cerca de três quadras da Arena Condá, na região Central de Chapecó. 

Ao passo que a equipe do Grupo JM adentrava a estrutura da cidade, detalhes em verde, branco (e preto) surgiam em todos os cantos. Nos monumentos, nas edificações, nas plantas, nas casas, nas ruas. Somadas a essa série de adereços dos mais variados materiais, camisetas da Chapecoense desfilavam por uma devastada, mas ainda assim, simpática cidade. Eram centenas de camisetas. Milhares delas. A cada 10 pessoas, nove vestiam o Manto. O décimo morador só não entrava na estatística, porque não usava a camiseta por cima, e sim, sob os casacos e capas que protegiam a forte chuva daquele sábado do dia 3.

Talvez tamanha paixão tenha sido entendida já em uma rápida conversa com Aline, a operadora de caixa do posto de combustíveis que não conteve as lágrimas. "Eles passavam por aqui diariamente. Tínhamos o contato diário com eles. A maioria deles não parecia jogador de futebol. Não tinham restrições e faziam questão de dar toda a atenção à cidade", revelou a moradora. 

Os pequenos detalhes. Ainda que estivéssemos no meio de um furacão, ilustrado pelo pior dia da história da cidade, a comunidade local fazia questão de mostrar uma face solícita, prestativa e solidária, com movimentos que claramente refletem, na essência, a comoção mundial com o episódio. Tudo, ainda que da pior forma possível, parecia conspirar a favor do humanismo. Bem ao lado do estádio, estacionado na calçada oposta, um ônibus ostentava no para-brisas em letras garrafais: FAZER O BEM, SEM OLHAR A QUEM. Talvez essa simples mensagem desse a dimensão do que era planejado para o transcorrer do sábado chuvoso (e choroso) na cidade. 

 

A SOLIDARIEDADE COMO LEGADO

Mais de 1,2 mil profissionais faziam a cobertura da cerimônia de despedida. Na linha divisória do gramado, câmeras, aparelhos e repórteres das mais diversas cores e idiomas aguardavam, sob ininterrupta chuva, a chegada de 50 caixões. Em meio à espera, funcionários da Chapecoense passavam com caixas recheadas de bolachas, barras de cereais, biscoitos, chocolates e demais guloseimas. "Por favor, não fiquem sem se alimentar. É importante", alertava uma funcionária completamente ensopada em meio a um dilúvio.

"Eu nem acredito. Eu realmente não estou acreditando que eles, no pior dia da história dessa cidade, estão preocupados com a nossa alimentação", espantou-se, em portunhol, um profissional da imprensa de Assunção, do Paraguai. "Eu trabalho há 15 anos na função, cobri a tragédia de Assunção, onde uma explosão matou mais de 400 pessoas, mas não vi nada parecido com isso aqui",  revelou o mesmo repórter, André Gutierrez, 35 anos, agora em entrevista concedida ao Grupo JM. "Não sei o que vai acontecer daqui algumas horas. Só sei que serei uma nova pessoa daqui para frente. Abrace seus pais, seus irmãos, seus parentes e todas as pessoas que você ama. Não sabemos o dia de amanhã e tudo isso veio para nos mostrar que pode ser o mais triste de todos", finalizou antes de passar a mão no rosto para secar as lágrimas travestidas de gotas que caíam do céu.