\\ JORNAL DA MANHÃ \ Saúde

Desemprego faz 2016 difícil para o setor

Leandro Oss Zambon
Leandro Oss Zambon
Publicada em 02/12/2016.

 

No início deste ano, o cenário projetado para o setor dos planos de saúde já não era promissor. Em entrevista ao Grupo JM, o presidente da cooperativa médica Leandro Oss Zambon fez um balanço de 2015 e projetou o ano em curso. Segundo ele, os planos de saúde não passaram ilesos à crise financeira iniciada em 2015, e acentuada em 2016, mas o balanço final foi positivo em função do planejamento estratégico, que permitiu à Unimed realizar, desde investimentos no hospital, como também parcerias com hospitais da região, mantendo a qualidade no atendimento e alcançando os objetivos traçados. Já em relação a 2016, o presidente da Unimed ressalta que tem a expectativa de um ano difícil.
Chegando ao final de 2016, o cenário se confirmou. Os planos de saúde sofreram um duro golpe em âmbito nacional e local, reflexo, principalmente, do desemprego.  Entre setembro de 2015 e setembro de 2016, os planos de saúde registraram queda de 3,1% no número de usuários, o que representou a perda de 1,5 milhão de beneficiários no País. “De fato, essa realidade que faz parte do cenário nacional de queda no número de usuários de planos de saúde também tem reflexo em nossa região. Isso se dá, principalmente, em relação às demissões que as empresas, especial do setor metal-mecânico, tiveram na nossa região, e essas empresas que mantêm convênio com a Unimed então reduzindo seu quadro de colaboradores, reduziram também os usuários que utilizam do Plano Unimed”, avaliou, ontem, Leandro, em entrevista ao Grupo JM. “Na realidade, no ano de 2016, percebemos uma queda na casa de 2% de nossa carteira, no entanto, isso acabou não refletindo redução no faturamento da empresa em função de diversos fatores, como o maior uso do hospital e também os reajustes realizados fizeram com que não houvesse reflexo na questão faturamento, mas em número de usuários nós também percebemos essa redução, não tão expressiva, mas ocorreu”.
Para a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, o resultado pode ser explicado pela deterioração do mercado de trabalho e a queda do rendimento das famílias. Os beneficiários desempregados deixam de contar com os planos pagos pelas empresas e, com isso, verifica-se a redução na aquisição de planos empresariais e próprios.
Nos últimos meses percebemos uma estabilização, não está mais ocorrendo uma redução progressiva.
A presidente da FenaSaúde apontou que o setor estima um decréscimo de 1% no próximo ano, em um universo de 70 milhões de usuários de planos de saúde no País. “Ainda é cedo, mas acho que se conseguirmos estabilizar nas taxas de 2016 será um avanço. Se a gente conseguir interromper essa tendência de queda será positivo”, completou.
A mesma projeção é esperada pelo presidente da Unimed Noroeste/RS. Segundo Leandro, o setor tem vivido uma estabilização nos últimos meses e a tendência é manter-se assim durante o primeiro semestre de 2017, até alcançar a recuperação no segundo semestre. “Estamos prevendo um aumento expressivo no número de usuários. Para o segundo semestre, a perspectiva é um pouco melhor, de expandir a carteira e recuperar esses usuários perdidos. A Unimed tem buscado alternativas nesse sentido, principalmente focada em planos para microempresas e planos familiares, tendo uma grande aceitação. Investindo no diferencial em planos que se ajustem mais às possibilidades da população, um exemplo disso é o plano ambulatorial que tem um custo inferior ao plano global, porém não envolve internação, mas que acaba, em situação até transitória, sendo uma alternativa para a população. Com o alto índice de desemprego e a descapitalização que vemos nas empresas e no mercado se torna uma alternativa”, afirma.
De acordo com Solange, a recuperação da situação econômica do Brasil é determinante para a melhora do mercado.
O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos de Souza Abrahão, disse durante o fórum que beneficiários, provedores, prestadoras e governo precisam trabalhar para garantir a sobrevivência do sistema. “Precisamos agir enquanto ainda dá tempo. Temos que ter o compromisso de implementar mudanças e construir uma agenda positiva para a sobrevivência deste setor”, disse.
A presidente da federação reconheceu que os preços elevados dos planos são frequente motivo de crítica por parte dos consumidores, mas acrescentou que isso ocorre porque os custos da medicina e da atenção à saúde são altos tanto para o sistema público, quanto para o privado.

No início deste ano, o cenário projetado para o setor dos planos de saúde já não era promissor. Em entrevista ao Grupo JM, o presidente da cooperativa médica Leandro Oss Zambon fez um balanço de 2015 e projetou o ano em curso. Segundo ele, os planos de saúde não passaram ilesos à crise financeira iniciada em 2015, e acentuada em 2016, mas o balanço final foi positivo em função do planejamento estratégico, que permitiu à Unimed realizar, desde investimentos no hospital, como também parcerias com hospitais da região, mantendo a qualidade no atendimento e alcançando os objetivos traçados. Já em relação a 2016, o presidente da Unimed ressalta que tem a expectativa de um ano difícil.

Chegando ao final de 2016, o cenário se confirmou. Os planos de saúde sofreram um duro golpe em âmbito nacional e local, reflexo, principalmente, do desemprego.  Entre setembro de 2015 e setembro de 2016, os planos de saúde registraram queda de 3,1% no número de usuários, o que representou a perda de 1,5 milhão de beneficiários no País. “De fato, essa realidade que faz parte do cenário nacional de queda no número de usuários de planos de saúde também tem reflexo em nossa região. Isso se dá, principalmente, em relação às demissões que as empresas, especial do setor metal-mecânico, tiveram na nossa região, e essas empresas que mantêm convênio com a Unimed então reduzindo seu quadro de colaboradores, reduziram também os usuários que utilizam do Plano Unimed”, avaliou, ontem, Leandro, em entrevista ao Grupo JM. “Na realidade, no ano de 2016, percebemos uma queda na casa de 2% de nossa carteira, no entanto, isso acabou não refletindo redução no faturamento da empresa em função de diversos fatores, como o maior uso do hospital e também os reajustes realizados fizeram com que não houvesse reflexo na questão faturamento, mas em número de usuários nós também percebemos essa redução, não tão expressiva, mas ocorreu”.

Para a presidente da FenaSaúde, Solange Beatriz Palheiro Mendes, o resultado pode ser explicado pela deterioração do mercado de trabalho e a queda do rendimento das famílias. Os beneficiários desempregados deixam de contar com os planos pagos pelas empresas e, com isso, verifica-se a redução na aquisição de planos empresariais e próprios.

Nos últimos meses percebemos uma estabilização, não está mais ocorrendo uma redução progressiva.

A presidente da FenaSaúde apontou que o setor estima um decréscimo de 1% no próximo ano, em um universo de 70 milhões de usuários de planos de saúde no País. “Ainda é cedo, mas acho que se conseguirmos estabilizar nas taxas de 2016 será um avanço. Se a gente conseguir interromper essa tendência de queda será positivo”, completou.

A mesma projeção é esperada pelo presidente da Unimed Noroeste/RS. Segundo Leandro, o setor tem vivido uma estabilização nos últimos meses e a tendência é manter-se assim durante o primeiro semestre de 2017, até alcançar a recuperação no segundo semestre. “Estamos prevendo um aumento expressivo no número de usuários. Para o segundo semestre, a perspectiva é um pouco melhor, de expandir a carteira e recuperar esses usuários perdidos. A Unimed tem buscado alternativas nesse sentido, principalmente focada em planos para microempresas e planos familiares, tendo uma grande aceitação. Investindo no diferencial em planos que se ajustem mais às possibilidades da população, um exemplo disso é o plano ambulatorial que tem um custo inferior ao plano global, porém não envolve internação, mas que acaba, em situação até transitória, sendo uma alternativa para a população. Com o alto índice de desemprego e a descapitalização que vemos nas empresas e no mercado se torna uma alternativa”, afirma.

De acordo com Solange, a recuperação da situação econômica do Brasil é determinante para a melhora do mercado.

O presidente da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), José Carlos de Souza Abrahão, disse durante o fórum que beneficiários, provedores, prestadoras e governo precisam trabalhar para garantir a sobrevivência do sistema. “Precisamos agir enquanto ainda dá tempo. Temos que ter o compromisso de implementar mudanças e construir uma agenda positiva para a sobrevivência deste setor”, disse.

A presidente da federação reconheceu que os preços elevados dos planos são frequente motivo de crítica por parte dos consumidores, mas acrescentou que isso ocorre porque os custos da medicina e da atenção à saúde são altos tanto para o sistema público, quanto para o privado.