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Agrotóxicos: o termo já é sugestivo!

Publicada em 04/11/2016.

 

A agricultura contemporânea, com o objetivo de aprimorar resultados, minimizar perdas, aumentar a qualidade da produtividade, com ênfase na rentabilidade, aposta em diferentes tecnologias fornecidas por técnicas e insumos. Na tendência agrícola atual, destaca-se o impacto que esta prática revela em danos ambientais, sociais e, em especial, na saúde mental. Estima-se, em torno de 1,8 bilhão de pessoas que trabalham na agricultura e que utilizam agrotóxicos. Na última década, o Brasil exibiu destaque em nível mundial no consumo de agrotóxicos, de acordo com estudo desenvolvido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O referido estudo aponta para um crescimento no mercado brasileiro de 176%, percentual este que demonstra a superação da média mundial (Anvisa, 2010).
O que pra alguns significa alta produtividade, lucro, desenvolvimento da economia nacional, estadual e regional, pra mim, profissional da saúde mental expressa apreensão e prejuízos irreversíveis aos atores principais, os agricultores. São eles que produzem o alimento nosso de cada dia, mas ao mesmo tempo ocupam um espaço secundário no que tange ao reconhecimento social no qual não é reconhecido com a devida importância, não recebe pelo que trabalha e é submetido a viver refém do uso de agrotóxicos. 
Frente a esta problemática, expresso minha admiração e extrema preocupação com esta classe trabalhista. Neste cenário da modernização da agricultura, para além de vantagens, o uso de agrotóxicos traz consigo o comprometimento da saúde do trabalhador rural num todo, mas aqui enfatizo a saúde mental. Dados nacionais e internacionais apontam esta realidade, na qual a exposição pelo labor silenciosamente e a longo tempo compromete a saúde psíquica. Nesta mesma linha de discussão destaco alguns estudos que corroboram com esta afirmação e revelam em danos esses efeitos.
Estudos internacionais apontam o comprometimento da saúde mental e neurológica dos trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos, desvendados em: Parkinson, Alzheimer e efeitos neurocomportamentais, capazes de levar ao suicídio. Em nível nacional, a literatura sugere correlação entre exposição e capacidade neurotóxica que podem evoluir para o adoecimento psíquico, com quadros depressivos, doenças mentais sem origem psicológica, que trazem queixas de ansiedade, nervosismo e transtorno mental comum, expresso em sintomas e queixas somáticas os quais incluem insônia, irritabilidade, nervosismo, fadiga, dores de cabeça, esquecimento, dificuldade de concentração, manifestações sintomáticas depressivas, ansiosas ou somatoformes. Em destaque, o Estado do Rio Grande do Sul é alvo de muitas investigações . Diante deste contexto complexo, concentrei na busca por mais evidências da ocorrência de transtornos mentais em trabalhadores rurais, em um município da região Noroeste. Nesta perspectiva, buscou-se avaliar a ocorrência de transtornos mentais e sintomas psíquicos em trabalhadores rurais que utilizam agrotóxicos e relacionar com dados sociodemográficos e hábitos de vida. Este estudo transversal, descritivo e analítico, foi realizado com 361 trabalhadores rurais, as informações foram coletadas a partir de um formulário com dados de identificação, sociodemográficos e clínicos. Além deste, foi utilizado o instrumento Self-Reporting Questionnarie SQR-20, que avalia a suspeição diagnóstica de transtornos mentais comuns. Os resultados do estudo mostraram a ocorrência de transtornos mentais em 47,9% dos pesquisados associado à idade, escolaridade, estado civil, uso de agrotóxico e consumo de álcool.
Neste ínterim, busca-se alertar a população num todo para a dimensão dos problemas à saúde mental, em especial os trabalhadores rurais que utilizam e estão expostos diretamente aos efeitos dos agrotóxicos.

A agricultura contemporânea, com o objetivo de aprimorar resultados, minimizar perdas, aumentar a qualidade da produtividade, com ênfase na rentabilidade, aposta em diferentes tecnologias fornecidas por técnicas e insumos. Na tendência agrícola atual, destaca-se o impacto que esta prática revela em danos ambientais, sociais e, em especial, na saúde mental. Estima-se, em torno de 1,8 bilhão de pessoas que trabalham na agricultura e que utilizam agrotóxicos. Na última década, o Brasil exibiu destaque em nível mundial no consumo de agrotóxicos, de acordo com estudo desenvolvido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O referido estudo aponta para um crescimento no mercado brasileiro de 176%, percentual este que demonstra a superação da média mundial (Anvisa, 2010).

O que pra alguns significa alta produtividade, lucro, desenvolvimento da economia nacional, estadual e regional, pra mim, profissional da saúde mental expressa apreensão e prejuízos irreversíveis aos atores principais, os agricultores. São eles que produzem o alimento nosso de cada dia, mas ao mesmo tempo ocupam um espaço secundário no que tange ao reconhecimento social no qual não é reconhecido com a devida importância, não recebe pelo que trabalha e é submetido a viver refém do uso de agrotóxicos. 

Frente a esta problemática, expresso minha admiração e extrema preocupação com esta classe trabalhista. Neste cenário da modernização da agricultura, para além de vantagens, o uso de agrotóxicos traz consigo o comprometimento da saúde do trabalhador rural num todo, mas aqui enfatizo a saúde mental. Dados nacionais e internacionais apontam esta realidade, na qual a exposição pelo labor silenciosamente e a longo tempo compromete a saúde psíquica. Nesta mesma linha de discussão destaco alguns estudos que corroboram com esta afirmação e revelam em danos esses efeitos.

Estudos internacionais apontam o comprometimento da saúde mental e neurológica dos trabalhadores rurais expostos a agrotóxicos, desvendados em: Parkinson, Alzheimer e efeitos neurocomportamentais, capazes de levar ao suicídio. Em nível nacional, a literatura sugere correlação entre exposição e capacidade neurotóxica que podem evoluir para o adoecimento psíquico, com quadros depressivos, doenças mentais sem origem psicológica, que trazem queixas de ansiedade, nervosismo e transtorno mental comum, expresso em sintomas e queixas somáticas os quais incluem insônia, irritabilidade, nervosismo, fadiga, dores de cabeça, esquecimento, dificuldade de concentração, manifestações sintomáticas depressivas, ansiosas ou somatoformes. Em destaque, o Estado do Rio Grande do Sul é alvo de muitas investigações . Diante deste contexto complexo, concentrei na busca por mais evidências da ocorrência de transtornos mentais em trabalhadores rurais, em um município da região Noroeste. Nesta perspectiva, buscou-se avaliar a ocorrência de transtornos mentais e sintomas psíquicos em trabalhadores rurais que utilizam agrotóxicos e relacionar com dados sociodemográficos e hábitos de vida. Este estudo transversal, descritivo e analítico, foi realizado com 361 trabalhadores rurais, as informações foram coletadas a partir de um formulário com dados de identificação, sociodemográficos e clínicos. Além deste, foi utilizado o instrumento Self-Reporting Questionnarie SQR-20, que avalia a suspeição diagnóstica de transtornos mentais comuns. Os resultados do estudo mostraram a ocorrência de transtornos mentais em 47,9% dos pesquisados associado à idade, escolaridade, estado civil, uso de agrotóxico e consumo de álcool.

Neste ínterim, busca-se alertar a população num todo para a dimensão dos problemas à saúde mental, em especial os trabalhadores rurais que utilizam e estão expostos diretamente aos efeitos dos agrotóxicos.