\\ JORNAL DA MANHÃ \ Editorial

Economia de mentira

Publicada em 02/11/2016.

 

A função primordial de um gestor público é aplicar os recursos provenientes dos impostos dos cidadãos de maneira que todos possam ter acesso a serviços de qualidade em áreas como educação, saúde e segurança. É essencial, ainda, que estes escassos recursos não sejam desperdiçados em coisas supérfluas, e que também não sirvam a interesses políticos, pessoais ou financeiros. 
Porém, diante da complexidade de uma administração pública, alguns interesses se acabam entrecruzando, e os atos que aparentam ter motivação no bem público, na realidade servem aos mais escusos fins que se pode imaginar.
Em Ijuí, a prefeitura iniciou ontem o turno único de trabalho, com a desculpa de que é necessário economizar recursos públicos diante da severa crise financeira. Uma economia de caráter duvidoso, já que nunca foram apresentados números claros sobre o volume de recursos que se deixa de gastar com energia elétrica, água e combustível a partir do novo horário de trabalho. Como está descrito em reportagem nesta edição, a adoção do turno único se torna ainda mais incompreensível pelo fato de que praticamente 75% da administração seguirá seu horário tradicional de trabalho. Isso porque escolas, estruturas de saúde e equipes de plantão não farão horário diferenciado, e são estas as maiores estruturas do poder público municipal. 
Enquanto por um lado parece preocupada com o orçamento, de outro a prefeitura não se importa em fazer novas despesas. Após as eleições municipais, mais de 20 funcionários foram admitidos, muitos deles com salários de praticamente R$ 4 mil. Estranha o fato de o poder Executivo se ocupar com medidas paliativas e de eficiência duvidosa como o turno único, enquanto serve a interesses externos com a contratação de mais CCs.
O mais curioso, para não usar outro adjetivo mais forte, é que as explicações para situações esdrúxulas como essa são as mais genéricas possíveis. Nossos mandatários tergiversam, jogam a conversa para qualquer lado e não explicam, de maneira convincente, a razão de nossos recursos serem tão mal administrados. Talvez esses mesmos gestores acreditem cegamente na ignorância do povo, e neste quesito estão redondamente enganados. O mais provável é que, passada a eleição, não estejam mais tão preocupados com suas imagens, com o que o povo pensa sobre a política. 
O trabalho dos cidadãos continua sendo o de fiscalizar o governo municipal. Dispositivos existem aos montes, só precisamos de uma reação enérgica para mostrar que não aceitamos mais enganações, não permitiremos que a cidadania seja desrespeitada.

A função primordial de um gestor público é aplicar os recursos provenientes dos impostos dos cidadãos de maneira que todos possam ter acesso a serviços de qualidade em áreas como educação, saúde e segurança. É essencial, ainda, que estes escassos recursos não sejam desperdiçados em coisas supérfluas, e que também não sirvam a interesses políticos, pessoais ou financeiros. 

Porém, diante da complexidade de uma administração pública, alguns interesses se acabam entrecruzando, e os atos que aparentam ter motivação no bem público, na realidade servem aos mais escusos fins que se pode imaginar.

Em Ijuí, a prefeitura iniciou ontem o turno único de trabalho, com a desculpa de que é necessário economizar recursos públicos diante da severa crise financeira. Uma economia de caráter duvidoso, já que nunca foram apresentados números claros sobre o volume de recursos que se deixa de gastar com energia elétrica, água e combustível a partir do novo horário de trabalho. Como está descrito em reportagem nesta edição, a adoção do turno único se torna ainda mais incompreensível pelo fato de que praticamente 75% da administração seguirá seu horário tradicional de trabalho. Isso porque escolas, estruturas de saúde e equipes de plantão não farão horário diferenciado, e são estas as maiores estruturas do poder público municipal. 

Enquanto por um lado parece preocupada com o orçamento, de outro a prefeitura não se importa em fazer novas despesas. Após as eleições municipais, mais de 20 funcionários foram admitidos, muitos deles com salários de praticamente R$ 4 mil. Estranha o fato de o poder Executivo se ocupar com medidas paliativas e de eficiência duvidosa como o turno único, enquanto serve a interesses externos com a contratação de mais CCs.

O mais curioso, para não usar outro adjetivo mais forte, é que as explicações para situações esdrúxulas como essa são as mais genéricas possíveis. Nossos mandatários tergiversam, jogam a conversa para qualquer lado e não explicam, de maneira convincente, a razão de nossos recursos serem tão mal administrados. Talvez esses mesmos gestores acreditem cegamente na ignorância do povo, e neste quesito estão redondamente enganados. O mais provável é que, passada a eleição, não estejam mais tão preocupados com suas imagens, com o que o povo pensa sobre a política. 

O trabalho dos cidadãos continua sendo o de fiscalizar o governo municipal. Dispositivos existem aos montes, só precisamos de uma reação enérgica para mostrar que não aceitamos mais enganações, não permitiremos que a cidadania seja desrespeitada.