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Uma vida forjada em aço

João Attílio com algumas de suas invenções:  um cortador de melancia e um porta-cartas.
João Attílio com algumas de suas invenções: um cortador de melancia e um porta-cartas.
Publicada em 14/07/2016.

 

João Attílio nasceu no dia 3 de junho de 1926, filho de agricultores descendentes de italianos. Foi ferreiro na Colônia Santo Antônio, interior de Ijuí, onde teve papel principal criando instrumentos que eram usados na agricultura pelas famílias daquela localidade. No final da década de 1960, ele foi um dos responsáveis pela construção da ponte do Itaí, que liga Ijuí a Catuípe. “Fiz a parte da ferragem, do aço. A obra levou dois anos para ficar pronta”, relembra. Depois de terminar, ele foi convidado pelo engenheiro responsável para fazer a parte de ferro da piscina da Sociedade Recreativa. Após, atuou na Imasa até se aposentar. “Na Imasa foram 24 anos e 15 dias. Lembro como se fosse hoje, tudo que vivi lá dentro, ao lado do meu finado amigo Bruno Fuchs”, comenta João, que se aposentou com 57 anos.
Na Imasa, ele era o braço direito do proprietário Bruno Fuchs. A empresa tinha 36 funcionários quando ele começou a trabalhar lá, em abril de 1959. “O Bruno pensava e eu executava”, lembra. João entrou como ferreiro, e depois passou para o setor de pesquisa (invenção de equipamentos novos), como plantadeira de cana, pé de pato hibrido, elétrico, etc. “O Bruno, na época, me pegou só para ele. Ele mandava e eu fazia. Ele dava as ideias e eu botava a mão na massa. Muitas vezes eu dava palpites e ele aceitava”, explica João.  
Após a aposentadoria, João começou a criar e fabricar muitos utensílios para casa, além de lembranças dedicadas à família que formou com a esposa Irene, falecida recentemente, com quem foi casado por 65 anos. Eles tiveram nove filhos e 16 netos. As peças vão desde colheres, facas, conchas e muitas coisas criativas, como um cortador de melancia e um porta-cartas de baralho, que não exige que a pessoa segure as cartas enquanto joga. Até um forno para assar pão ele criou, fabricou e usa até hoje. “Conforme meus netos iam se formando em suas profissões, eu fazia uma lembrança para cada um, com o logotipo de sua carreira”. A primeira lembrança feita foi para a neta Jeanine Gobo, que se formou médica e ganhou um porta-caneta com o símbolo da Medicina, em inox, feito a mão pelo avô coruja. 
É o filho Paulo Gobo, que mora com ele, sua companhia diária. Ele tira da internet muitas ideias para o pai colocar em prática, no aço ou inox. É na fábrica do outro filho, Pedro Gobo, que o trabalho pesado é feito. Lá, Attílio molda nas máquinas mais pesadas, e traz para casa para terminar o serviço. Nos fundos de casa, que é sua morada desde 1964, está seu improvisado “laboratório”. Uma pequena peça com muitos vidros cheios de colheres, conchas, facas e garfos. Todos possuem no cabo, a data em que foi feito. “Tudo para presentear quem me visita”. 
Naquele pequeno espaço, ele passa muitas horas de seu dia, sua ocupação. Lá também está uma máquina inventada por ele, que faz 2,6 mil rotações por minuto e afia facas, corta e lixa muitas ferramentas. “Fiz essa máquina em 1985 e uso até hoje para fazer minhas outras peças”. 
O filho Paulo lembra um caso curioso. “Eu estava lá dentro e meu pai aqui fora trabalhando normalmente em mais uma de suas peças. De repente, ouvi um barulho muito forte como se fosse um tiro. Corri para fora, e ele estava bem. Ele não sabia o que tinha acontecido e procurava um parafuso que tinha perdido. Olhei para o teto e o parafuso havia voado com tanta força que furou a telha grossa do teto. E meu pai se perguntava onde havia ido parar o bendito parafuso. Foi um susto enorme. Ainda bem que não o atingiu”, conta Paulo.  
Em junho deste ano, ao completar 90 anos, ele fabricou as lembranças para dar a cada filho. Um porta-canetas com a foto de cada um. “Isso está na minha estante para que eu lembre a família linda que tive”. Na sala, está a estante feita de aço e presenteada à esposa quando fizeram 50 anos de casados. Em cima, muitas fotos da família. Na sala dos fundos, uma parede guarda muitos quadros, que incluem os avós de João, vindos da Itália, seus pais, ele e a esposa Irene, os filhos, netos e fotos raras do tempo que atuava na Imasa, inclusive ao lado de Bruno Fuchs. Ao lado dessa parede recheada de memórias, uma prateleira com as peças que fabricou. “Tudo está aqui para que a história da nossa família não se perca. São os momentos mais importantes para mim”, finaliza.

João Attílio nasceu no dia 3 de junho de 1926, filho de agricultores descendentes de italianos. Foi ferreiro na Colônia Santo Antônio, interior de Ijuí, onde teve papel principal criando instrumentos que eram usados na agricultura pelas famílias daquela localidade. No final da década de 1960, ele foi um dos responsáveis pela construção da ponte do Itaí, que liga Ijuí a Catuípe. “Fiz a parte da ferragem, do aço. A obra levou dois anos para ficar pronta”, relembra. Depois de terminar, ele foi convidado pelo engenheiro responsável para fazer a parte de ferro da piscina da Sociedade Recreativa. Após, atuou na Imasa até se aposentar. “Na Imasa foram 24 anos e 15 dias. Lembro como se fosse hoje, tudo que vivi lá dentro, ao lado do meu finado amigo Bruno Fuchs”, comenta João, que se aposentou com 57 anos.

Na Imasa, ele era o braço direito do proprietário Bruno Fuchs. A empresa tinha 36 funcionários quando ele começou a trabalhar lá, em abril de 1959. “O Bruno pensava e eu executava”, lembra. João entrou como ferreiro, e depois passou para o setor de pesquisa (invenção de equipamentos novos), como plantadeira de cana, pé de pato hibrido, elétrico, etc. “O Bruno, na época, me pegou só para ele. Ele mandava e eu fazia. Ele dava as ideias e eu botava a mão na massa. Muitas vezes eu dava palpites e ele aceitava”, explica João.  

Após a aposentadoria, João começou a criar e fabricar muitos utensílios para casa, além de lembranças dedicadas à família que formou com a esposa Irene, falecida recentemente, com quem foi casado por 65 anos. Eles tiveram nove filhos e 16 netos. As peças vão desde colheres, facas, conchas e muitas coisas criativas, como um cortador de melancia e um porta-cartas de baralho, que não exige que a pessoa segure as cartas enquanto joga. Até um forno para assar pão ele criou, fabricou e usa até hoje. “Conforme meus netos iam se formando em suas profissões, eu fazia uma lembrança para cada um, com o logotipo de sua carreira”. A primeira lembrança feita foi para a neta Jeanine Gobo, que se formou médica e ganhou um porta-caneta com o símbolo da Medicina, em inox, feito a mão pelo avô coruja. 

É o filho Paulo Gobo, que mora com ele, sua companhia diária. Ele tira da internet muitas ideias para o pai colocar em prática, no aço ou inox. É na fábrica do outro filho, Pedro Gobo, que o trabalho pesado é feito. Lá, Attílio molda nas máquinas mais pesadas, e traz para casa para terminar o serviço. Nos fundos de casa, que é sua morada desde 1964, está seu improvisado “laboratório”. Uma pequena peça com muitos vidros cheios de colheres, conchas, facas e garfos. Todos possuem no cabo, a data em que foi feito. “Tudo para presentear quem me visita”. 

Naquele pequeno espaço, ele passa muitas horas de seu dia, sua ocupação. Lá também está uma máquina inventada por ele, que faz 2,6 mil rotações por minuto e afia facas, corta e lixa muitas ferramentas. “Fiz essa máquina em 1985 e uso até hoje para fazer minhas outras peças”. 

O filho Paulo lembra um caso curioso. “Eu estava lá dentro e meu pai aqui fora trabalhando normalmente em mais uma de suas peças. De repente, ouvi um barulho muito forte como se fosse um tiro. Corri para fora, e ele estava bem. Ele não sabia o que tinha acontecido e procurava um parafuso que tinha perdido. Olhei para o teto e o parafuso havia voado com tanta força que furou a telha grossa do teto. E meu pai se perguntava onde havia ido parar o bendito parafuso. Foi um susto enorme. Ainda bem que não o atingiu”, conta Paulo.  

Em junho deste ano, ao completar 90 anos, ele fabricou as lembranças para dar a cada filho. Um porta-canetas com a foto de cada um. “Isso está na minha estante para que eu lembre a família linda que tive”. Na sala, está a estante feita de aço e presenteada à esposa quando fizeram 50 anos de casados. Em cima, muitas fotos da família. Na sala dos fundos, uma parede guarda muitos quadros, que incluem os avós de João, vindos da Itália, seus pais, ele e a esposa Irene, os filhos, netos e fotos raras do tempo que atuava na Imasa, inclusive ao lado de Bruno Fuchs. Ao lado dessa parede recheada de memórias, uma prateleira com as peças que fabricou. “Tudo está aqui para que a história da nossa família não se perca. São os momentos mais importantes para mim”, finaliza.